Duas mil famílias sem apartamento — e um grupo de compradores que assumiu a obra e recebeu as chaves.
O caso da Dallas mostra o que a ausência de patrimônio de afetação faz com quem já quitou o imóvel, e como um grupo organizado de compradores pode retomar o controle de uma obra parada. É um case sobre risco na compra na planta e sobre poder que quase ninguém exerce.
A Construtora Dallas lançou 18 empreendimentos entre 2012 e 2016, a maioria em Boa Viagem, no Recife. Em 2018 paralisou todas as obras e, em 2019, pediu recuperação judicial com R$ 49 milhões de dívida.
Sem patrimônio de afetação, os imóveis de todos os empreendimentos entraram como ativos da recuperação. Famílias que já tinham quitado 100% do apartamento descobriram que a unidade era ativo da construtora e poderia ser usada para pagar credores com prioridade legal sobre elas.
Um grupo de compradores do Golden Jaqueira não esperou a justiça resolver. Se uniram, contrataram assessoria jurídica, destituíram a Dallas judicialmente do empreendimento, constituíram um condomínio com CNPJ próprio, assumiram a gestão da obra e a concluíram. Enquanto outros compradores ainda esperam, eles já receberam as chaves.